Características
Existem produtores que chegam com tudo desde o primeiro vinho. César Fernández Díaz é um deles. Jovem enólogo formado pela Universidade Politécnica de Madrid, com passagem por referências como Comando G e Bernabeleva, duas das adegas mais influentes da nova geração espanhola, César fundou seu micro-projeto em Fuentelcésped, na Ribera del Duero, com apenas 1,5 hectare de vinhas velhas de família, algumas pré-filoxera. O Espantaburros é seu vinho mais representativo, produzido em menos de 4.000 garrafas por ano. O nome vem de uma planta de salva que cresce como matagal nos arredores dos vinhedos, tão incomoda para o gado que 'espanta burros' de longe.
As uvas são Tempranillo, Garnacha e Bobal de videiras plantadas em 1950, cultivadas com práticas biodinâmicas em solos de arenitos avermelhados, conglomerados e calcários em Fuentelcésped. César fermenta em cachos inteiros com leveduras indígenas, amadurecendo em barricas de 500 e 600 litros bem usadas e uma ânfora de 125 litros. O resultado é engarrafado sem filtração, sem colagem e sem sulfitos adicionados. A filosofia é clara: vinho com mineralidade, elegância, acidez e austeridade, sem maquiagem, sem madeira dominante, com a tensão e a eletricidade do terroir.
No copo, rubi escuro com tom maduro surpreendente para um vinho de baixo teor alcoólico. No nariz, azeitonas negras, cerejas, framboesas e um fundo mineral e herbáceo que remete ao matagal aromático que rodeia os vinhedos, tomilho, lavanda e zimbro. Na boca é fluido e fresco, de corpo médio, com taninos finos e acidez vibrante que o tornam extremamente versátil à mesa. Final longo com tensão mineral persistente.
Perfeito com cordeiro assado, embutidos ibéricos, queijos curados e pratos de cogumelos. Também vai muito bem com massas ao ragù e carnes assadas mais delicadas. Pode ser servido levemente fresco, entre 14 e 16°C, para realçar a mineralidade e o frescor.







